ESCUTA, mesmo s(c)em palavras

Vídeo performance. Cor, 17 min. Brasil | Portugal. 2026. Instalação composta por vídeo performance, fotografias fine art bordadas e poema com 100 palavras bordadas em 100 bastidores.

Há algum rio com quem você conversa? Se você fosse proibido de falar, o que faria falta dizer? São essas as questões que movem Escuta, um trabalho de escuta de dois rios: Sergipe, no Brasil, e Tejo, em Portugal. O que esses rios tem a nos dizer?

Na vídeo performance, a artista propõe a materialização de uma conversa com o rio Sergipe, no Brasil, e com o Tejo, em Lisboa. As filmagens em Lisboa são o resultado da residência artística promovida pela Casa Oxente, em janeiro de 2026.

Escuta, mesmo s/100 palavras – Poema

Escuto que mulheres

não

mais cantar;

que águas serão

nunca mais ouvidas.

Espanto.

Águas

não irão correr livremente?

Silencio

até o rio.

O rio diz

não irá se calar.

“sem canto

um rio irá morrer.”

sem palavras

concordo.

100 palavras por dia,

faria falta falar?

Tejo,

Essas

tão poucas

palavras.

Oliveiras, Laranjais

Mar da Palha

um fio de água

um alguém conversa

com árvores.

rio meus rios,

“não quero que morra”.

Falaríamos,

mesmo sem palavras.

Gestos, cheiros,

ausências.

Ao ar livre,

no tamborilar

de surpresa, de vingança.

A recusa

Que nega silêncio

Os rios, nunca mortos,

encontrariam

formas para ser.