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Galeria Álvaro Santos realiza nova edição da Alvarada Artística neste sábado, 26

22 de setembro de 2026

Galeria Álvaro Santos realiza nova edição da Alvarada Artística neste sábado | Prefeitura de Aracaju (link original)

Oficina “Desenho Expandido: linhas que conectam” será ministrada por Elaine Bomfim

A Prefeitura de Aracaju, por meio da Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju) e da Galeria de Arte Álvaro Santos, realiza neste sábado, 26, às 9h, mais uma edição do projeto Alvarada Artística. No encontro deste mês, a Galeria propõe uma oficina a partir das relações entre o regional e o global, o moderno e o contemporâneo. As vagas são limitadas e as inscrições podem ser realizadas por meio de formulário online.

O nome do projeto, Alvarada Artística, nasce do encontro entre “Alvorada” e “Álvaro Santos”, patrono da Galeria de Arte. A iniciativa integra a programação mensal da Galeria e, nesta edição, promove a oficina “Desenho Expandido: linhas que conectam”, que será ministrada pela artista visual Elaine Bomfim.

A atividade irá explorar a análise de ponto, linha, cor e gesto, tendo como referência obras de Florival Santos, Edith Derdyk e Yayoi Kusama. Para o desenvolvimento da atividade proposta, os interessados precisam se atentar aos materiais solicitados: um novelo de linha de lã, um novelo de linha de crochê e fitas adesivas coloridas, na quantidade desejada.

A coordenadora da Galeria de Arte Álvaro Santos, Jaci RosaCruz, destaca a importância da atividade. “A importância dessa Alvarada está justamente em ampliar as possibilidades da arte, entendendo o desenho não apenas como uma técnica, mas como espaço de experimentação. A oficina aproxima estes três artistas e traz uma oportunidade de brincar, experimentar e perceber como diferentes tempos, linguagens e culturas podem se encontrar por meio da arte”, explica.

A artista visual e escritora Elaine Bomfim explica a dinâmica da atividade. “No primeiro momento, estabeleceremos relações entre estes artistas para compreensão do conceito de desenho expandido. No segundo momento, desenvolveremos uma intervenção artística com linhas e polk dots (pontos) na paisagem”, reforça.

A Galeria de Arte Álvaro Santos está localizada na Praça Olímpio Campos, s/n, no Centro de Aracaju, e funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (79) 3179-1308 ou pelas redes sociais oficiais da Fundação Cultural Cidade de Aracaju.

A Escuta do Tejo – Impressões de uma residência artística.

Por Elaine Bomfim

1. Queria escutar o Tejo.

Uma obra que começou com a escuta do Rio Sergipe partiu para ouvir outros rios. A oportunidade surgiu com a Casa Oxente (hoje KOlibri), que oferece residência artística na cidade do rio Tejo, na Lisboa de Portugal. Apresentei minha proposta e fui aceita para desenvolver, em dez dias de janeiro de 2026, a continuidade da obra ESCUTA, MESMO QUE S/100 PALAVRAS, que havia sido iniciada com bordados e filmagem de uma performance na margem do rio Sergipe. Foi assim que arrumei na mala as imagens, as palavras, os bordados, a rede de pesca e parti rumo a outras águas.

2. Finalmente, na beira do rio.

Ao chegar na cidade, fui bem recebida e logo apresentada à Galeria Casa Oxente, reconhecendo obras de vários artistas do nordeste brasileiro, alguns deles amigos conhecidos, o que fez sentir-me em casa. Uma vez hospedada, comecei a trabalhar nos bordados e objetos que conduziriam a conversa com o rio, nos roteiros e lugares que se prestariam a bons locais de conversa. Não havia muito tempo a perder.

No sábado partimos rumo à cidade de Vila Franca de Xira, um porto tranquilo e seguro para encontrar o rio Tejo. Quando finalmente o encontrei era imenso, a margem oposta lá bem distante do alcance da vista e, curiosamente, o achei tranquilo. Plácido. As águas refletiam a cor cinza do dia nublado e não fazia muito frio.

3. Sobre encontros.

Foi sobre águas mas também sobre gente. Wilame Lima, artista e curador, responsável pela galeria e por uma bela coleção de arte nordestina junto ao seu marido Gwénaël Vallantin, foi bastante generoso e cumpriu seu papel de curador e responsável pela residência artística ao me colocar em contato com agentes culturais locais importantes, criando assim pontes que fortalecem a comunidade artística e valorizam a arte, venha de onde vier. Pude ainda participar da exposição coletiva A NORDESTE DA NORDESTE, na Casa da América Latina, onde foi possível conversar sobre arte com um público interessado e diverso.

4. E o que você ouviu do rio?

A pergunta foi feita assim, na lata, durante roda de conversa e apresentação que encerrou a residência na Casa Oxente (hoje, Kolibri). Na ocasião apresentei, além de instalação com 100 palavras bordadas e leitura de poema constituintes da obra ESCUTA, mais duas obras que também conversam com o rio Sergipe: CANCIONEIRAS, filme que faz parte do vídeo instalação de mesmo nome, e o catálogo de NOVELOS AO MAR, com leitura de excerto literário que compõe a obra.  Conversamos sobre essas obras, e eu pude falar bastante bem sobre as histórias do rio Sergipe, mas e sobre o Tejo? O que eu tinha para falar?

Ainda não é uma resposta fácil, ainda preciso de palavras para contar o que escutei, e as palavras, como todos sabem, não costumam chegar na velocidade que desejamos, pelo menos não as palavras exatas, as mais precisas, as que buscamos. Talvez eu precise de mais tempo. Mas no momento, posso contar que o Tejo é imenso, que ao vê-lo achei que era o mar, que apesar de manso dá medo quando avança demais, que pinga nas casas de toda Lisboa, que há árvores que conversam em suas margens e que a água à distância é cinza como prata mas de perto, em alguns lugares, é verde escuro. Que encontrei nas suas margens as mesmas plantas que encontro aqui, as gigogas com que faço os papéis artesanais em que bordo minhas histórias.

5. E agora, a conversa acabou? Acho que agora é sobre como continua, e não mais sobre o que acabou. O período de residência está encerrado, mas a obra ESCUTA continua, será finalizada em Sergipe, e daí entrará em circulação. E quando isto acontecer, voltarei à Casa Oxente, voltarei ao Tejo, e espero retribuir à altura toda a consideração que recebi estando aí.

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